Os dados mais recentes de uso da terra e florestas no município do Rio de Janeiro revelam uma tendência clara e consistente: a ampliação da capacidade de remoção de carbono ao longo da última década.

Esse movimento, ainda pouco explorado sob a ótica de mercado, representa uma oportunidade concreta para estruturar projetos de carbono baseados em soluções naturais, com alto potencial de geração de valor ambiental e econômico.

As áreas de vegetação nativa estável em unidades protegidas seguem como um ativo climático fundamental, com remoções anuais superiores a 12 mil tCO₂e. Trata-se de um estoque de carbono consolidado, que reforça o papel da conservação como base da estratégia climática territorial.

No entanto, o principal vetor de crescimento está na regeneração da vegetação secundária. Entre 2012 e 2024, as remoções associadas a esse processo praticamente dobraram — passando de cerca de 5,6 mil tCO₂e para mais de 10,5 mil tCO₂e por ano.

Esse dado é particularmente relevante do ponto de vista técnico: indica que o território não apenas conserva carbono, mas também amplia sua capacidade de remoção, elemento central para a estruturação de projetos com adicionalidade e potencial de certificação.

Considerando o cenário mais recente, as remoções totais associadas à vegetação nativa no município ultrapassam 24 mil tCO₂e em 2024 — o equivalente às emissões anuais de aproximadamente 5,2 mil veículos de passeio.

Mais do que um indicador ambiental, esse volume representa um ativo mensurável, rastreável e potencialmente elegível para inserção em mecanismos de financiamento climático e mercados de carbono.

Nesse contexto, as soluções baseadas na natureza deixam de ser apenas uma diretriz de política pública e passam a ocupar um papel central na estruturação de ativos ambientais. A combinação entre conservação, regeneração e monitoramento contínuo cria as condições necessárias para o desenvolvimento de projetos robustos, alinhados às melhores práticas internacionais.

Para cidades e territórios com características semelhantes, o caso do Rio de Janeiro evidencia um ponto-chave: a agenda climática urbana não se limita à redução de emissões — ela também pode (e deve) incorporar estratégias de remoção como parte do portfólio de soluções.

A leitura desses dados reforça uma mudança de paradigma. Áreas naturais deixam de ser vistas apenas como espaços de proteção ambiental e passam a ser reconhecidas como infraestruturas climáticas, capazes de gerar benefícios ambientais, sociais e financeiros.

Para o setor privado, isso se traduz em novas oportunidades de investimento. Para o setor público, em instrumentos mais eficientes de planejamento e captação de recursos. E para o mercado de carbono, em ativos com lastro real, mensurável e crescente.

A questão que se coloca agora não é mais se esse potencial existe — mas como estruturá-lo, certificá-lo e levá-lo ao mercado de forma consistente.

As estimativas apresentadas foram elaboradas com base na abordagem metodológica do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), no âmbito do setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas (MUT), estruturada a partir de modelagem espacial de mudanças de cobertura e uso da terra derivadas de séries temporais anuais de sensoriamento remoto. A metodologia associa matrizes anuais de transição territorial à aplicação de fatores de estoque e incremento de carbono por classe de vegetação e tipologia de uso da terra, permitindo estimar fluxos de carbono em escala municipal com rastreabilidade espacial e consistência temporal.

A metodologia considera processos de remoção associados à vegetação nativa primária em áreas manejadas, vegetação secundária em regeneração e transições territoriais com incremento líquido de biomassa, utilizando dados anuais de cobertura e uso da terra derivados da Coleção 9 do MapBiomas e parâmetros metodológicos compatíveis com as diretrizes do IPCC e do Quarto Inventário Nacional de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa. O processamento envolve estabilização temporal das classes de cobertura, geração de matrizes anuais de transição, cálculo zonal por unidade territorial e aplicação de fatores de estoque e incremento de carbono por tipologia de vegetação.

No contexto urbano, a abordagem permite capturar a contribuição climática de grandes fragmentos vegetados, unidades de conservação, manguezais, restingas, áreas em regeneração natural e demais infraestruturas ecológicas urbanas identificáveis em escala territorial por sensoriamento remoto. Embora a metodologia não tenha sido concebida para inventários individualizados de arborização viária, ela possibilita contabilizar a dinâmica de remoção de carbono associada à vegetação urbana estruturante e aos processos de regeneração ecológica observados no território municipal.

Na Mowa Carbon Neutral, atuamos exatamente nessa interface entre potencial e execução: transformamos dados territoriais em projetos estruturados, com metodologia, rastreabilidade e aderência aos principais padrões do mercado de carbono.

Na Mowa Carbon Neutral, atuamos exatamente nessa interface entre potencial e execução: transformamos dados territoriais em projetos estruturados, com metodologia, rastreabilidade e aderência aos principais padrões do mercado de carbono.

Se você está avaliando oportunidades em soluções baseadas na natureza — seja no setor público, privado ou em ativos territoriais — este é o momento de estruturar projetos com base técnica sólida e visão de mercado.

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