A EarthCarbonTrade integra um ecossistema metodológico, de certificação e rastreabilidade desenvolvido para transformar resultados climáticos mensuráveis em ativos ambientais confiáveis. Seu desenho conecta a identificação e elegibilidade dos projetos, a definição das metodologias de quantificação, o Monitoramento, Reporte e Verificação (MRV), a certificação, o registro dos créditos, sua rastreabilidade ao longo das transações e sua aposentadoria definitiva.
A proposta parte de uma premissa central: reduzir a distância entre aquilo que pode ser tecnicamente estimado e aquilo que efetivamente pode ser demonstrado, auditado e rastreado. Isso permite estruturar diferentes tipologias de projetos climáticos dentro de uma arquitetura comum de integridade, ainda que cada atividade possua requisitos metodológicos próprios.
Entre as aplicações estão projetos de gestão e valorização de resíduos, compostagem, recuperação energética e waste-to-energy, conservação e regeneração de vegetação nativa, além de outras atividades capazes de gerar reduções ou remoções de gases de efeito estufa mensuráveis e verificáveis.
No setor de resíduos, a abordagem permite estruturar projetos que reduzam emissões associadas à disposição convencional, evitem a formação ou liberação de metano, recuperem energia ou criem novas rotas de valorização de materiais. Na compostagem, por exemplo, a quantificação considera aspectos como origem, quantidade e composição dos resíduos, cenário de referência, adicionalidade, emissões do projeto e comprovação dos volumes efetivamente tratados. O Projeto Casca representa uma aplicação concreta dessa abordagem, demonstrando como a compostagem pode ser conectada à quantificação de emissões evitadas, ao MRV e à geração de ativos ambientais.
Em projetos de waste-to-energy e recuperação energética, a lógica é semelhante, mas a avaliação deve considerar todo o balanço relevante de emissões, incluindo a destinação alternativa dos resíduos, as emissões da operação e os benefícios associados à substituição de outras fontes de energia. A elegibilidade, portanto, depende da demonstração de uma redução líquida, adicional e verificável de emissões em relação a um cenário de referência tecnicamente defensável.
A EarthCarbon também contempla projetos de conservação e regeneração de vegetação nativa, utilizando evidências geoespaciais, análises multitemporais, cenários de referência, critérios de adicionalidade, avaliação de riscos e procedimentos de monitoramento adaptados às características dos biomas brasileiros. Em 2025, essa abordagem foi aplicada a projetos de conservação florestal na Amazônia.
Independentemente da tipologia, o princípio é o mesmo: cada crédito deve estar associado a um resultado climático real, mensurável, adicional, verificável e devidamente rastreado. Por isso, o ecossistema combina metodologias específicas por atividade com uma infraestrutura comum de governança, MRV, certificação e rastreabilidade, reduzindo riscos de dupla contagem, inconsistências metodológicas e questionamentos reputacionais.
Projetos elegíveis podem ser desenvolvidos e certificados pelo padrão próprio EarthCarbon, seguindo requisitos específicos para cada categoria de atividade. Ao mesmo tempo, a MOWA também apoia desenvolvedores que pretendem estruturar projetos para certificação em padrões internacionais, incluindo Verra/VCS, Gold Standard e outros standards aplicáveis, atuando na avaliação de elegibilidade, seleção metodológica, definição da linha de base, demonstração de adicionalidade, quantificação das reduções ou remoções, desenvolvimento do PDD, estruturação do plano de monitoramento e preparação para validação e verificação independente.
Nesse caso, a certificação e a emissão dos créditos seguem integralmente as regras e a governança do padrão escolhido.
A integridade do ativo também precisa ser mantida após sua emissão. Por isso, a EarthCarbonTrade incorpora mecanismos de registro e rastreabilidade que permitem acompanhar a origem, titularidade, movimentação e status de cada crédito. Na plataforma, os créditos podem ainda ser aposentados, retirando-os definitivamente de circulação quando utilizados para compensação ou outra finalidade climática compatível.
Ao conectar metodologia, MRV, certificação, registro e mercado, o ecossistema EarthCarbon busca ampliar a viabilidade de projetos climáticos brasileiros sem reduzir o rigor necessário para assegurar sua credibilidade. Da compostagem ao waste-to-energy, da conservação florestal à regeneração, o objetivo é transformar benefícios climáticos reais e demonstráveis em ativos confiáveis, rastreáveis e ambientalmente íntegros.