A metodologia EarthCarbonTrade foi concebida para operacionalizar, de ponta a ponta, a identificação, elegibilidade, quantificação, certificação, rastreabilidade e aposentadoria de créditos de carbono, com foco em integridade ambiental e aplicabilidade prática. O seu desenho metodológico parte de uma premissa central: reduzir a assimetria entre “o que é tecnicamente quantificável” e “o que é auditável e rastreável”, integrando evidências geoespaciais, séries históricas, critérios de adicionalidade e permanência, e protocolos de monitoramento e reporte, de forma padronizada e verificável.

A EarthCarbonTrade foi desenhada para transformar a conservação contínua e a regeneração natural comprovada de vegetação nativa em ativos climáticos confiáveis, valorizando um esforço que ocorre no Brasil há décadas, mas que historicamente permaneceu à margem das grandes metodologias internacionais. Trata-se de reconhecer, com rigor técnico e governança adequada, processos reais de remoção de CO₂ já em curso no território, convertendo-os em instrumentos climáticos robustos e rastreáveis.

Na prática, a EarthCarbonTrade estrutura-se como um conjunto coerente de requisitos e procedimentos que orientam: (i) a delimitação espacial do projeto e das áreas elegíveis; (ii) a validação multitemporal da estabilidade e da evolução da cobertura vegetal; (iii) a definição de cenários de referência e de projeto; (iv) a aplicação de parâmetros técnicos consistentes com diretrizes reconhecidas internacionalmente e com a realidade biofísica local; e (v) a consolidação documental e digital necessária para auditoria de terceira parte. O objetivo é assegurar que cada crédito emitido possua lastro técnico, evidência reprodutível e trilha de auditoria completa.

Integridade no mercado de carbono significa que cada tonelada de CO₂e declarada como reduzida ou removida é real, mensurável, adicional, devidamente protegida contra riscos de reversão e não sujeita à dupla contagem. A EarthCarbonTrade foi estruturada exatamente para atender a esses princípios, adotando um conjunto de salvaguardas técnicas e de governança que priorizam a qualidade e a credibilidade do crédito, e não apenas o volume emitido. A metodologia opera com evidências objetivas, transparentes e acessíveis, tornando cada projeto certificável passível de verificação independente, em qualquer lugar do mundo, por qualquer parte interessada.

Esse nível de transparência fortalece a confiança de empresas, auditores e stakeholders, ao permitir que a integridade do crédito seja avaliada sem dependência exclusiva do emissor ou do certificador. Regras claras de elegibilidade, consistência metodológica, documentação estruturada e rastreabilidade ao longo de todo o ciclo de vida do crédito reduzem significativamente riscos de questionamentos reputacionais e de greenwashing, oferecendo segurança técnica, previsibilidade e alinhamento com as melhores práticas internacionais de integridade ambiental.

Além disso, a integridade depende de como o crédito se comporta após a emissão: quem o detém, como é transacionado e como é aposentado. A EarthCarbonTrade, ao operar acoplada a um ambiente de registo e rastreio digital, reforça a transparência e a unicidade do ativo, evitando duplicidades e ambiguidades de titularidade. Esse desenho é particularmente relevante em um mercado fragmentado, no qual a confiança é um ativo crítico e determinante para o valor do crédito.

Um dos principais diferenciais da EarthCarbonTrade é a sua adequação ao contexto dos biomas brasileiros. Florestas tropicais, áreas em regeneração natural e paisagens em mosaico não se comportam da mesma forma que florestas temperadas ou plantações homogéneas, frequentemente usadas como referência por metodologias desenvolvidas no Norte Global. A metodologia prioriza um enquadramento técnico compatível com essa complexidade, por meio de interpretação multitemporal robusta, leitura contextual das classes de vegetação e critérios que acomodam mosaicos de paisagem comuns na Amazónia, Mata Atlântica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Pampa.

Em contraste, metodologias concebidas para outros contextos ecológicos e fundiários, ainda que tecnicamente sólidas, podem incorporar pressupostos que se tornam frágeis quando aplicados sem adaptação ao território brasileiro. A EarthCarbonTrade busca minimizar esse “gap de transferência” ao alinhar parâmetros, evidências e procedimentos a referenciais e bases aplicáveis ao contexto nacional, reforçando a consistência técnica do projeto e a credibilidade dos créditos perante compradores que exigem integridade e lastro científico.

Em 2025, a EarthCarbonTrade consolidou a sua atuação por meio da certificação de três projetos localizados na Amazônia — Fazenda São Carlos, Fazenda Santa Rosa e Fazenda Santa Tereza — estruturados com foco em REDD+ e conservação florestal de alta integridade. Em conjunto, esses projetos abrangem aproximadamente 47.189 hectares de vegetação nativa preservada, representando uma aplicação concreta e escalável da metodologia em território amazônico. A partir dessas áreas, foram emitidos 7.656.402 créditos de carbono (tCO₂e) em 2025, refletindo resultados reais de manutenção da cobertura florestal e mitigação de emissões associadas ao desmatamento evitado.

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Todos os créditos certificados seguiram rigorosamente as regras de gestão de risco da EarthCarbonTrade, com a aplicação de um buffer técnico de 10% por projeto, destinado a mitigar riscos de reversão, degradação futura ou mudanças não previstas no uso da terra, assegurando maior robustez ambiental e credibilidade ao ativo disponibilizado ao mercado.

Sob a perspectiva jurídico-regulatória, a metodologia EarthCarbonTrade foi concebida em alinhamento material com os ICVCM Core Carbon Principles, ao estabelecer um arcabouço normativo e procedimental orientado à integridade ambiental, à segurança jurídica do ativo e à previsibilidade regulatória do crédito de carbono ao longo de todo o seu ciclo de vida. Esse alinhamento reflete-se na definição objetiva de critérios de elegibilidade, na adoção de premissas conservadoras de quantificação, na demonstração de adicionalidade voluntária e na incorporação de mecanismos explícitos de gestão de riscos associados à permanência e à reversão.

A metodologia também incorpora salvaguardas compatíveis com os princípios do ICVCM no que se refere à transparência, rastreabilidade e unicidade dos créditos, assegurando clareza quanto à titularidade, à segregação por tipologia e ao status jurídico-operacional do ativo. O modelo de registo e reporte permite verificação independente com base em evidências objetivas e critérios previamente estabelecidos, sem dependência discricionária do emissor ou exposição de parâmetros proprietários.

Nesse enquadramento, a EarthCarbonTrade consolida um padrão metodológico consistente com exigências regulatórias e práticas contratuais internacionais, reduzindo riscos de dupla contagem, disputas técnicas e exposição reputacional. Os créditos certificados passam, assim, a constituir ativos climáticos idóneos para sustentar decisões corporativas, financeiras e de compliance climático, com aplicabilidade transversal em diferentes contextos jurídicos e jurisdicionais.

Empresas que desejam compensar emissões com créditos EarthCarbonTrade devem assegurar, previamente, um enquadramento adequado do uso do crédito, com base em inventários de emissões consistentes, definição clara de escopos e estratégias de redução que priorizem mitigação interna. A compensação atua como instrumento complementar para emissões residuais, acompanhando a maturação dos planos de descarbonização.

Na plataforma MowaCarbon, além da compra e gestão do portfólio, existe a possibilidade de aposentar os créditos, retirando-os definitivamente de circulação e formalizando a compensação das emissões. Esse processo gera rastreabilidade, documentação e segurança para auditorias, relatórios ESG e comunicação institucional, reforçando a credibilidade do claim climático e contribuindo para a consolidação de um mercado de carbono baseado em integridade, governança e aderência à realidade brasileira.